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16 de set de 2016


Confira 20 produtos que já não existem mais (ou estão cada vez mais difíceis de achar)


17.jun.2016 - Uma publicação intitulada "Coisas que não voltam mais", criada por um usuário do Facebook chamado Jucelino Marlete e que já tem mais de 12 mil compartilhamentos, reúne basicamente objetos e produtos que já não são mais fabricados ou que não conseguimos encontrar tão facilmente hoje em dia (pelo menos não tão facilmente como antigamente). Na imagem, o creme dental Kolynos, que virou Sorriso no Brasil em 1997, mas continua a ser lembrado

Este baleiro ainda resiste bravamente em alguns botecos ao redor do Brasil, mas está cada vez mais difícil encontrá-lo por aí


Cada giro no discador era um "TRRRIMM", "TRRRIMM"


Atari... Ah, que saudade!


Do tempo de mil novecentos e bolinha


Coleção copo da Pepsi + Trapalhões

Nos anos 90, todo mundo tinha uma vizinha que fazia o chamado "geladinho" (ou "gelinho", "sacolé", depende de sua região)


Sistema de antigamente para ver fotos


Vitrolona


Esse aí promete espantar os mosquitos e ainda é possível encontrá-lo por aí, mas perdeu muito espaço para as opções modernas, como repelentes em creme, pastilhas plugadas na tomada, sprays, entre outros

O famoso cigarrinho de chocolate da Pan, considerado "politicamente incorreto" hoje em dia, virou lápis de chocolate


Quer trocar de canal? Então levante do sofá...

Cabia tudo neste estojão...

Quando este fogão ficava muito velho, geralmente era levado para quebrar um galho em casas de praia ou chácaras


Era uma máquina de costura, mas nas horas vagas servia de "caminhão" para as crianças (ou você não fingia que aquela rodona ali em baixo era um volante?)


Os bichos não paravam de jeito nenhum!


Pura diversão! 


Mini-game com 1.000 jogos! Forte rival do PlayStation 4, ou não?


Tazos


O Guaraná Baré, sucesso até o fim dos anos 90, era vendido em todo o Brasil. Hoje, ainda é vendido na região do Amazonas, local onde foi criado 

12 de jul de 2016


Sem Jerry Lawson você não conseguiria pausar partidas ou jogar sozinho

  • Jerry Lawson foi o criador do Fairchild Channel F, primeiro console da história a permitir que os jogadores utilizassem cartuchos com jogos, pausarem partidas e jogarem contra uma inteligência artificial
    Jerry Lawson foi o criador do Fairchild Channel F, primeiro console da história a permitir que os jogadores utilizassem cartuchos com jogos, pausarem partidas e jogarem contra uma inteligência artificial
Rodrigo Lara
Do Gamehall
Imagine a seguinte situação: você está enfrentando um "chefão" de fase e, no meio da luta, seu telefone toca. Instintivamente você aperta um botão do controle e a ação congela enquanto você calmamente pode conversar com a pessoa do outro lado da linha ou responder a uma mensagem.
O mesmo vale para o simples ato de você poder jogar sozinho e enfrentar inimigos controlados pela inteligência artificial programada em cada game, sem a necessidade de ter outra pessoa para competir. É possível ir além: que tal ter um número baixo e limitado de jogos disponíveis para o seu console, sem a possibilidade que empresas criem novos títulos?
Padrões na indústria de jogos atual, a possibilidade de pausar partidas, de enfrentar inimigos controlados "pelo computador" e ter novos games lançados com frequência simplesmente não existiam nos primeiros aparelhos de videogame. Isso mudou em 1976 com o lançamento do Fairchild Channel F, criação de Gerald Anderson "Jerry" Lawson, um programador norte-americano nascido no bairro do Queens, Nova York, em 1940.
Reprodução
Pausar um jogo pode ser algo simples e corriqueiro hoje em dia, mas há 40 anos não era assim: o simples ato de atender um telefone ou ir ao banheiro significaria uma partida perdida
Um peixe fora d'água
A história de Lawson é particularmente curiosa por diversos fatores. A começar pelo fato de ele ter sido um dos poucos negros a atuar na região conhecida como Vale do Silício, na Califórnia, durante os anos 1970, época na qual o mercado de trabalho local era quase que totalmente dominado por brancos - a situação melhorou, mas ainda persiste nos dias atuais - e por acabar atuando em um segmento pouco desenvolvido da indústria de tecnologia.
Lawson era proveniente de uma família humilde e teve toda sua educação realizada em instituições públicas de ensino, sendo que sua mãe escolheu pessoalmente escolas de qualidade para que seu filho tivesse uma boa formação. Já o gosto do seu pai por tecnologia acabou influenciando o futuro do filho e o ajudou a desenvolver seu talento. Prova disso é que o garoto, por volta dos seus 12 anos de idade, chegou a montar uma pequena emissora de rádio a partir de um aparelho amador que ganhou de presente. Detalhe: as adaptações para tal foram criadas por ele mesmo.
Após trabalhar um tempo consertando e montando aparelhos eletrônicos, Lawson acabou indo trabalhar no outro lado do país, na Califórnia, em uma empresa chamada Kaiser Electronics, onde atuou até a oportunidade em uma empresa chamada Fairchild Semiconductor surgir.
Enfrentando o ceticismo
Quando começou na Fairchild, além da já citada questão racial, Lawson também encontrou uma indústria de games ainda em estado embrionário - tanto que desenvolver jogos eletrônicos passava longe de suas aspirações profissionais. O seu primeiro trabalho na Fairchild foi treinar outros profissionais na utilização de um antigo computador DEC PDP-8, o qual ficou acomodado na garagem de sua casa. Na Califórnia, Lawson também entrou para o Homebrew Computer Club, um clube local que reunia interessados por computadores. Lá ele conheceu Steve Wozniak e Steve Jobs, que viriam a fundar a Apple. Futuramente, Lawson foi o responsável por avaliar - e não contratar - Wozniak na Fairchild.
À época, a Fairchild havia desenvolvido um microprocessador chamado F8 e Lawson, em seu tempo livre, acabou criando uma aplicação para esse componente: um jogo chamado "Demolition Derby". O programador também construiu um gabinete e instalou o conjunto em uma pizzaria da região. O clássico "Pong" havia sido lançado poucos meses antes.
Reprodução
Enfrentar inimigos gigantescos e poderosos está entre as partes mais empolgantes de jogos de videogame. Nada disso existiria sem a contribuição de Lawson à indústria
O interesse gerado por essa espécie de arcade rudimentar foi suficiente para fazer com que a Fairchild, que inicialmente não havia gostado do uso que Lawson fez do seu microprocessador, o procurasse para que ele desenvolvesse videogames para a empresa. O resultado disso tudo é que, pouco tempo depois, ele se tornou chefe da divisão de jogos da empresa, atuando diretamente com o desenvolvimento do console Fairchild Channel F.
Posteriormente, em uma entrevista ao jornal San Jose Mercury News, Lawson disse a razão pela qual ele resolveu trabalhar com games: "Fiz isso porque as pessoas diziam 'você não pode fazer isso'. Eu sou aquele tipo de cara que quando escuto que não consigo fazer algo, eu vou lá e faço".
Passo em direção ao futuro
O Fairchild Channel F foi lançado em 1976 e mudou diversos padrões na indústria de games até o momento. Para começar, ele foi o primeiro console a contar com um microprocessador dedicado, o já citado F8. O potencial desse chip permitiu a programação de inteligência artificial nos games. Ou seja: não era mais necessário chamar uma outra pessoa para jogar.
Divulgação
Lançado em 1976, o Fairchild Channel F inaugurou a segunda geração de consoles e trouxe inovações que mudaram a indústria de jogos
Outra grande novidade introduzida com o Channel F foi a utilização de cartuchos com programação própria, o que envolveu um desafio extra na criação do console por demandar, entre outras coisas, um sistema robusto que aguentasse trocas constantes de "fitas". Além de oferecer mais variedade aos jogadores, a medida foi a pedra fundamental para o surgimento de empresas especializadas no desenvolvimento de jogos.
Por fim, o controle do console vinha com um botão chamado "Hold", que abriu a possibilidade dos jogos serem pausados.
O algoz
Com tantos predicados, a dúvida que surge é: por que tanto Lawson quanto o Channel F não se tornaram nomes conhecidos na indústria de jogos? A resposta para isso é: Atari 2600.
Quando o Channel F foi lançado, a Atari estava desenvolvendo um console capaz de rodar cartuchos de games. Um ano tempo depois, chegava ao mercado o Atari VCS, que 1982 teve seu nome trocado para Atari 2600. Com desempenho superior em gráficos e som, graças a um memória RAM duas vezes maior do que a do concorrente, o novo console transformou o aparelho da Fairchild em peça de museu assim que foi lançado.
Reprodução
O algoz do Channel F foi um console bem conhecido dos brasileiros: o Atari 2600 trazia funções similares ao concorrente, porém oferecia gráficos e sons melhores
Isso motivou a Fairchild a abandonar o segmento de games e vender os direitos sobre o Channel F para uma empresa chamada Zircon International, em 1979. Lawson, por sua vez, saiu da companhia em 1980, fundando a Videosoft, com o intuito de desenvolver jogos justamente para o Atari 2600, mas saiu de vez dos holofotes e acabou sendo esquecido pela indústria.
Cerca de 30 anos depois, porém, a Game Developers Association, por meio do chefe de seu comitê de diversidade, Joseph Saulter, resolveu honrar os feitos de Lawson e o convidou para receber um prêmio pela sua contribuição para a indústria de games durante da Game Developers Conference de 2011, realizada em San Francisco.
O reconhecimento veio em tempo, uma vez que Lawson, portador de diabetes, acabou morrendo um mês após receber a honraria, deixando sua esposa, sua filha e seu filho. E, claro, sua contribuição por criar as bases de conceitos fundamentais que vemos até hoje no mundo dos games.

27 de dez de 2015


20 anos do PlayStation: relembre 13 games clássicos

Metal Gear Solid PS1

GUSTAVO SUMARES

Com os anúncios dos novos iPads e iPhones, um marco expressivo passou despercebido nessa quarta-feira, 9 de setembro de 2015: o aniversário de 20 anos do lançamento do primeiro Playstation em solo ocidental!

Embora tenha sido lançado no Japão em dezembro de 1994, a Sony costuma considerar 9 de setembro como a data de lançamento "oficial" do console, pois foi quando ele conquistou o mercado norte-americano.

O bisavô do Playstation 4 teve uma bela cota de jogos memoráveis, que não apenas ofereceram ótimas experiências a quem tinha o console, mas que também influenciaram muitos dos clássicos das gerações futuras de console.

Em comemoração ao 20 anos dessa antológica peça de hardware da Sony, selecionamos alguns dos games mais memoráveis lançados para o sistema. Alguns deles deram início a séries de enorme sucesso, outros trouxeram mecânicas de jogo novos, e outros ainda eram simplesmente muito divertidos. buscamos diversificar, tanto quanto possível, os gêneros e as épocas.

Vale lembrar também que muitos desses clássicos podem ser jogados gratuitamente online! Saiba como fazer isso.

Tomb Raider

Foi no primeiro Playstation que a arqueologista e exploradora Lara Croft se tornou uma celebridade. Apesar de controles relativamente complexos e gráficos bastante datados para os padrões de hoje, a dinâmica de exploração de cavernas e locais ermos do jogo, combinada com a grande variedade de saltos e movimentos de que a heroína era capaz, fizeram de Tomb Raider uma aventura incrivelmente envolvente. As diversas sequências que o jogo ganhou até tiveram coisas boas, mas não se comparam ao original.

Final Fantasy VII

É possível passar anos discutindo qual dos jogos da série Final fantasy lançados para o PS1 foi o melhor (a internet tem feito isso há bastante tempo). Final Fantasy VII, no entanto, tem a vantagem indiscutível de ser o primeiro jogo da série em 3D, e a introdução do jogo, que leva os jogadores pelas favelas de Midgar até a estação de trem onde a ação começa, é um dos momentos mais marcantes da história dos games. De lá, o jogo só melhora, com sua história gigantesca e cheia de reviravoltas surpreendentes, um sistema de combate incrivelmente complexo e uma infinidade de atividades paralelas para se fazer no jogo. Não é à toa que a Sony finalmente fará um remake do clássico.

Metal Gear Solid
A série de jogos de ação e espionagem dirigida por Hideo Kojima, que chegou recentemente à sua quinta edição, também começou no primeiro Playstation. Quando foi lançado, Metal Gear Solid causou furor por conta de suas mecânicas de infiltração e steath: nenhum outro jogo até então havia desafiado os jogadores a se infiltrar numa base sem ser percebido pelos guardas. A história estranha e ambiciosa, os chefões desafiadores e bizarros (como Psycho Mantis, que conseguia “ler sua mente” a partir das informações do Memory Card) e os personagens marcantes, que perduram na série até hoje, fazem desse jogo um clássico inescapável.

Silent Hill
Esse clássico do primeiro Playstation atualizou a definição de “medo” para muitos dos que o jogaram quando ele saiu. O jogo, que segue a história de um homem normal que sai em busca de sua filha pela estranha cidade que dá nome ao jogo, foi incrivelmente influente para o gênero de survival-horror. Diferente do que era comum naquela época, em Silent Hill o seu personagem é uma pessoa normal, sem qualquer habilidde de combate - o que torna os monstros hediondos que patrulham a cidade ainda mais assustadores. A sensação de impotência diante dos mistérios horríveis que aguardavam a cada canto da cidade foi justamente o que acabou tirando o sono de muitos jogadores.

Parappa the Rapper

Em retrospecto, talvez Parappa the Rapper não seja um jogo tão bom assim: ele tinha apenas seis fases, gráficos toscos (embora charmosos) e uma história bem estranha, sobre um cachorro rapper cujo principal interesse amoroso era uma moça com cabeça de margarida. Mas o fato é que ele foi um dos primeiros jogos de ritmo, nos quais os jogadores precisam apertar os botões certos de acordo com a batida da música. Por esse motivo, outros clássicos como Dance Dance Revolution, Guitar Hero, Rock Band e tantos outros jogos que se valem de mecânicas semelhantes devem ao cachorro rapper pelo menos parte de seu sucesso.

Twisted Metal 2
Há algo estranhamente satisfatório em ver carros estranhos batalhando entre si com metralhadoras, mísseis e outras armas inusitadas, e a série Twisted Metal apostava nessa sensação. Twisted Metal 2 era muito divertido de se jogar em multiplayer, tanto pela oportunidade de destruir os carros de seus amigos quanto pelo fato de que, no modo single-player, o jogo era cruelmente difícil. Além disso, o jogo tinha uma série de movimentos “secretos”, como saltos e raios congelantes, que você só conseguia descobrir (naquela época fetal da internet) em revistas de games ou tentando apertar todos os botões ao mesmo tempo, o que ajudava a dar uma certa profundidade ao jogo.

Crash Bandicoot
A tentativa da Sony de criar um mascote tão popular quanto o Mario da Nintendo evidentemente não deu certo. No entanto, Crash Bandicoot e suas sequências continuam sendo jogos bem legais. Sua principal inovação foi levar os jogos de plataformas com estruturas lineares (uma fase em seguida da outra) para o mundo tridimensional: enquanto Super Mario 64 não chegava aos Estados Unidos, o animal estranho da Sony deu aos jogadores suas primeiras experiências em realizar saltos precisos em três dimensões.

Chrono Cross
Chrono Cross tinha diante de si a árdua tarefa de suceder Chrono Trigger, um clássico do Super Nintendo considerado, até hoje, um dos melhores RPGs já lançados. O mais impressionante, no entanto, é a forma relativamente despreocupada como os desenvolvedores abordaram o desafio. Tirando a mecânica de “viajar no tempo”, o jogo tem muito pouco a ver com seu antecessor, e é incrivelmente ambicioso: possui um complexo sistema de batalha baseado em cores, uma lista com mais de quarenta personagens jogáveis, uma história cheia de bifurcações e escolhas difíceis (algo bastante incomum para a época) e uma trilha sonora incrível. Mesmo hoje em dia, é raro encontrar jogos que assumam tantos riscos de uma só vez.

Tekken 3
Talvez a melhor de todas as séries de jogos de luta em 3D, Tekken chegou ao seu ápice com Tekken 3, lançado no primeiro Playstation. O terceiro game da série trouxe uma enorme diversidade de modos de jogo, como o Tekken Ball (uma espécie de vôlei de praia com luta) e Tekken Force (semelhante a um jogo Beat’em up). E isso sem falar do elenco enorme, que incluia um homem-árvore, um pequeno dinossauro, um panda e o capoeira brasileiro Eddy Gordo, que muitos escolhiam para sair apertando todos os botões ao mesmo tempo e mesmo assim ganhar qualquer luta.

Gran Turismo 2
Até o início da série Gran Turismo, nenhum outro jogo de corrida tinha conseguido capturar tão bem as emoções de disputas em alta velocidade. O nível de detalhe que se podia alterar nos carros, como a relação de marchas, pressão e tipo dos pneus e a tensão das suspensões - além do fato de que mexer nesses detalhes alterava visivelmente o comportamento dos carros na pista - eram simplesmente inacreditáveis. O primeiro jogo teve o mérito de atrair muitos jogadores para o gênero de simulação de corrida, mas o segundo, que trouxe ainda mais carros, pistas e opções de customização, é um marco do gênero.

Grand Theft Auto
Uma das séries mais comercialmente exitosas da história dos games, Grand Theft Auto também teve sua estreia no PS1. A partir de GTA 3, a série adotaria a perspectiva de terceira pessoa em um mundo tridimensional que lhe rendeu tanto sucesso. Mas mesmo em sua estreia, com seus gráficos bem mais simples e a perspectiva “de cima para baixo”, o jogo ainda tinha algumas características muito valiosas: o cenário “open-world”, que permitia que o jogador perambulasse à vontade por toda a cidade, e a estrutura aberta, sem qualquer obrigação de se seguir determinados objetivos e a possibilidade de se fazer qualquer coisa que desse na telha. Essas escolhas de design foram tão responsáveis pelo sucesso da série quanto os belos gráficos que ela viria a ter depois.

Tony Hawk’s Pro Skater
Quem não se lembra do depósito que era a primeira fase de Tony Hawk’s Pro Skater, ou da música “Superman” da banda Goldfinger não pode dizer que teve uma infância ou adolescência completa. O jogo de skate inspirado no primeiro skatista a conseguir completar um giro de 900º de um salto no half-pipe teve uma influência que transcendeu os jogos e até mesmo levou muitos jovens a comprarem skates para tentar imitar (quase sempre sem sucesso nenhum) as manobras do jogo. São poucos os games que podem se gabar de ter feito os gamers saírem de frente da TV, mas Tony Hawk’s Pro Skater é um deles.

Resident Evil
Outro clássico do gênero survival-horror que estreou no Playstation 1, Resident Evil praticamente dispensa apresentações. O jogo, que se passa inteiro dentro de uma mansão infestada de zumbis, não apenas estabeleceu uma das séries mais queridas do gênero como também criou uma das aventuras mais marcantes daquela geração de consoles. Algumas de suas mecânicas, embora hoje em dia pareçam bem datadas - como a limitação de espaço no inventário e a necessidade de se utilizar “ink ribbons” para poder salvar o jogo - na época ajudavam a aumentar ainda mais a tensão. Quem não passou pelo momento em que os cachorros-zumbis atravessam as janelas de vidro não sabe o que é um “susto”.

4 de mai de 2015


20 ANOS DE INTERNET.BR

Bem-vindo a 1º de maio de 1995. Você não entrou no Facebook nem viu mensagens no WhatsApp ou tirou dúvidas no Google. Nada disso é possível, já que esses serviços só serão lançados ao longo dos próximos 20 anos. Mas já dá para, ao menos, acessar a internet e mandar um e-mail.
Naquele dia, começou a ser oferecida no Brasil a conexão comercial à rede mundial de computadores, abrindo para pessoas comuns as possibilidades já disponíveis para acadêmicos e pesquisadores.
Nesta página, com formato inspirado no desenho do site que a Folha viria a lançar dois meses depois, em julho de 1995, você vai conhecer os pioneiros da rede no Brasil e saber como os internautas mudaram nessas duas décadas.
O INÍCIO

Do dial-up ao 4G

REGISTRO - Editorial publicado pela Folha no dia 1º de maio de 1995
YURI GONZAGA
DE SÃO PAULO
Antes de existir internet, existia o silêncio.
Essa adaptação dos versos da canção de Arnaldo Antunes é verdadeira em muitas das frentes mais importantes da nossa comunicação hoje, tanto on-line quanto off-line.
Não se ouviu falar em WhatsApp antes de 2009, de Facebook antes de 2004 e de Google antes de 1998.
E nesta sexta-feira (1º), faz exatos 20 anos que uma conexão à rede mundial de computadores --bem vagarosa, vale dizer-- foi oferecida comercialmente pela primeira vez no Brasil."Depois de muita polêmica com o Ministério da Ciência e Tecnologia, a Embratel inaugura hoje o acesso comercial à internet, maior rede de comunicações por computador do mundo", informava reportagem da Folha naquele dia.
À época, 250 consumidores foram selecionados entre cerca de 15 mil candidatos pela Embratel para testar a tecnologia. Hoje, há mais de 100 milhões de usuários, segundo as estatísticas mais conservadoras.Em 9 de julho de 1995, dois meses depois da chegada da internet brasileira ao público em geral, a Folha pôs on-line suas primeiras notícias, em uma parceria da Agência Folha com a Redação do jornal impresso intitulada a princípioFolha Web.
ESTRUTURA
A internet já havia sido experimentada dentro da comunidade acadêmica e também entre funcionários de alguns órgãos do governo. Outras tecnologias de comunicação entre computadores, como a Bitnet, também haviam sido experimentadas. "O problema da internet em relação às outras é que é uma rede interativa", diz Demi Getschko, diretor-presidente do NIC.br (Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR) e membro do CGI (Comitê Gestor da Internet no Brasil), este o órgão responsável pelo registro de websites que terminam em ".br" que foi fundado também em maio daquele ano.
O problema, explica, é que a característica velocidade dessa tecnologia gerava demanda superior à então comportada pelos fios telefônicos de cobre.
"Então houve uma corrida para expandir as linhas, e isso era antes da web [um dos protocolos de troca de dados da internet, que é usado pelos sites e navegadores]. Quando apareceu a web, então, falaram 'agora é que vai atolar de vez'."
LENTIDÃO
O limite das conexões discadas, também conhecidas pelo seu nome em inglês, dial-up, era de 56 kbps, suficiente para baixar uma imagem de 100 kbytes em 14 segundos; uma canção de 5 Mbytes em 12 minutos; e um filme de 700 Mbytes em um dia e quatro horas. Pagando por minuto.
"Você entrava num site e um banner [anúncio superior] começava a carregar. Dava tempo de ir tomar banho, pegar um café, voltar e ainda não tinha aparecido", lembra Getschko, pouco saudoso. Houve gargalos --e pode-se argumentar que ainda há--, mas também vieram investimentos, a fibra ótica, a exploração econômica da rede, a telefonia móvel.
Muitos fatores conspiraram para que o Brasil se tornasse um país de conectados --não completamente, e muito menos livre de problemas nesse processo. A conexão média no Brasil hoje é de 3 Mbps, segundo o relatório do último trimestre do ano passado da Akamai, o mais completo sobre infraestrutura de internet global. Essa velocidade é 54 vezes superior à máxima de 1995, mas só suficiente para deixar o país na 89ª colocação no ranking das redes mais velozes.
padrão 4G, que chega a velocidades centenas de vezes superiores às da conexão discada e maiores até que a banda larga residencial, só que sem usar cabos, já é representativo no país, com 7,8 milhões de linhas ativas em janeiro último, segundo a Anatel --mas só 2,8% do total.
Este especial on-line conta capítulos dessa tortuosa narrativa e a trajetória de alguns dos principais personagens dos primórdios da internet brasileira. Continue conectado.
Você entrava num site e um banner começava a carregar. Dava tempo de ir tomar banho, pegar um café, voltar e ainda não tinha aparecido
Demi Getschko, membro do Comitê Gestor da Internet

Dos professores à classe C: como o perfil do internauta mudou

VICTORIA AZEVEDO
DE SÃO PAULO
Exatos 20 anos após passar a ser comercializado no Brasil, o acesso à internet ainda é restrito a cerca de 60% da população, mas deixou de ser concentrado à população mais rica.
Hoje, 54% dos internautas brasileiros pertencem à classe C, contra 36% de A e B e 10% de D e E, de acordo com pesquisa do instituto Data Popular feito a pedido do Google. Há ao menos 120 milhões de brasileiros conectados, de acordo com o levantamento mais recente do instituto Nielsen Ibope, de julho de 2014 (esse número de internautas leva em conta acessos frequentes e também os esporádicos). O Brasil tinha, no mesmo mês, 202,8 milhões de habitantes, segundo o IBGE.
Alguns marcos tecnológicos e de serviços oferecidos pela rede marcam a transformação do internauta brasileiro --dos acadêmicos, técnicos de computação, pessoas de órgãos do governo e militares, os pioneiros da rede no país, à classe média emergente, que predomina agora.
A evolução pode ser dividida em quatro fases, segundo o Nielsen Ibope: de 2000 a 2004 com o predomínio das classes A e B; de 2004 a 2007, com a ascensão das lan-houses como principal forma de uso da rede; de 2007 a 2010 com acesso em casa predominando; e, por fim, de 2010 a 2014, com o acesso móvel."
Antes de 1995 já existiam pessoas que tinham acesso, como funcionários de alguns órgãos públicos. Os computadores eram muito caros. As pessoas compravam no exterior e traziam para o Brasil", diz José Calazans, analista de mercado da companhia.À medida que os computadores foram se tornando mais acessíveis, esse perfil foi passando para as pessoas que tinham dinheiro para comprá-los, que à época, eram das classes A e B.
Em entrevista à Folha em maio de 1995, Bill Gates sonhava com um computador que custasse menos de US$ 1.000 (R$ 917 à época, que por sua vez seriam R$ 3.550 corrigidos pela inflação oficial). "Esse é um dos desafios da indústria", disse, à ocasião do lançamento do Windows 95, que requeria no mínimo um processador 386 e 4 Mbytes de memória RAM. A título de comparação, o smartphone LG G4, apresentado nesta semana, tem processador que funciona com 18 vezes a frequência máxima daquele, e 750 vezes a capacidade de memória.
A mesma edição tinha um anúncio do computador Mythus 450 d2, vendido a R$ 1.999 (R$ 7.750 corrigidos). Hoje, não é difícil encontrar notebooks suficientes para as tarefas do dia a dia por menos de um sétimo do valor.
CONEXÃO
Em 2000, questionava-se a utilidade da banda larga (em contraposição às conexões discadas), que engatinhava no mundo e mal tinha visto a luz do dia por aqui.
"Tenho receio de que a banda larga vá resultar numa enxurrada de conteúdo sem critério", disse acertada e paradoxalmente o presidente da empresa de software para banda larga Fantastic Corporation, Robert Montgomery, à Folha naquele ano.
À época, quase todo usuário ouvia o som da conexão por meio da linha telefônica (que, aliás, ficava indisponível enquanto a internet era usada) antes de poder começar a navegação. Ao fim do ano seguinte, em dezembro de 2001, havia 852 mil usuários de banda larga, segundo o IDC.
Seis meses depois, o número passou para 1,4 milhão. Mas foi só em 2006 que o dial-up deixou de ser o método majoritário para se ligar à rede --e, em 2013, uma a cada dez conexões residenciais ainda era discada, segundo a pesquisa TIC Domicílios, do CGI.
A REDE QUE MUDOU A REDE
A virada da inclusão digital tem ano (2004, quando apenas 28 milhões de brasileiros com mais de 16 anos já haviam utilizado a rede ao menos uma vez), nome (Orkut) e lugar (as lan-houses, antes disso restritas aos amantes dos games).
"A explosão da internet [no Brasil] se deu com o Orkut. As pessoas passaram a ir a lan-houses para navegar, e não mais só para jogar. E foi nesse momento que as classes A e B deixaram de ser dominantes", conta Calazans.
O fenômeno dessa rede social, pertencente ao Google, foi tão grande que criou-se a expressão "orkutizar", que representava tudo que passou a ser popular na internet. Essa segunda fase, com o predomínio das lan-houses, das redes sociais e sem o acesso à internet restrito a uma classe social específica, durou até o final de 2007.
No final daquele ano, aconteceu outra alteração no cenário brasileiro e, dessa vez, foi uma mudança econômica, o chamado "fenômeno da classe C". Como as pessoas passaram a ter um maior poder aquisitivo, comprar um computador não era mais uma coisa impossível -- e, nesse momento, o uso da internet cresceu muito no país e o acesso em casa predominava.
Em 2010, aconteceu outra mudança, só que dessa vez foi estrutural, dos aparelhos, com o surgimento dos smartphones, que vivem um momento aquecido nas vendas no país, mas já dão sinais de desaceleração. Só no ano passado, foram vendidos 54,5 milhões de "telefones espertos", crescimento de 55% em relação a 2013, segundo a consultoria IDC. Para este ano, contudo, a firma de pesquisa projeta incremento de só 16%, reflexo da crise econômica e do chamado "amadurecimento" do mercado.
De acordo com a pesquisa do Google, entre os internautas da nova classe média que possuem smartphones, eles são a principal forma de acesso à rede (96% dos internautas o usam, contra 92% dos desktops e 89% dos notebooks).
FUTURO DOS COMPUTADORES
Quando questionado sobre qual seria o futuro dos computadores e se eles corriam o risco de serem "extintos", Calazans disse que a tendência é o crescimento do uso da internet por meio dos smartphones, mas sem que isso substitua completamente os computadores. Isso porque esses celulares e tablets não substituem todas as funções do computador, afirma Calazans.
De acordo com estudo do Google, 8 em cada 10 pessoas da classe C usam a internet como fonte de informação para tudo o que precisam, proporção igual a usuários das classes A e B.
A explosão da internet [no Brasil] se deu com o Orkut. As pessoas passaram a ir a lan-houses para navegar, e não mais só para jogar.

'Era como uma carroça', diz testador da internet

PIONEIRO Matemático Julio Botelho, que foi uma das primeiras pessoas a testar o serviço de internet no Brasil
BRUNO FÁVERO
DE SÃO PAULO
Esqueça a profusão de redes sociais, aplicativos e sites sobre todos os assuntos. Quando a internet chegou às casas dos brasileiros servia basicamente para trocar e-mails, falar em chats e discutir em fóruns.
"Você podia fazer mais ou menos o que fazemos hoje no Facebook. Mas se você imaginar que o Facebook é um carro moderno, a internet de então era uma carroça", brinca o matemático Julio Botelho, 72.
No ramo da tecnologia desde 1969, Botelho foi uma das primeiras pessoas a testar o serviço de internet comercial no Brasil e chegou até a ter um pequeno provedor de acesso.
Em 20 de dezembro de 1994, a Embratel anunciou que começaria a oferecer internet comercial no país e que convocaria donos de BBSs e pessoas ligadas à tecnologia para testar o serviço antes de ser aberto ao público.
Depois desse período, o serviço começou a ser oferecido também para usuários comuns e a fila para conseguir uma conexão chegou a 6.000 pessoas. Ainda em 1995, o Ministério das Comunicações lançou uma portaria proibindo a companhia de atender usuários finais e determinando que ela apenas fornecesse estrutura para os provedores.
ONDE COLOCO O FAX?
No começo, conta Botelho, a inexperiência de alguns usuários com a nova rede gerava confusões.
"Um dia ligou um cliente que queria saber de qualquer jeito como ele ligava a máquina de fax dele à internet. E para explicar que não tinha como?", lembra Botelho. "Foi um trabalho de tentar descobrir o que podíamos fazer na internet e, ao mesmo tempo, ensinar o que aprendíamos para as pessoas."
Botelho fez parte de um pequeno grupo de testes organizado pela Embratel em 1994 para usar a internet antes que fosse aberta ao público. Naquele momento, só algumas universidades tinham acesso à rede mundial de computadores.
"Quando decidimos trazer a internet comercial para o Brasil, escolhemos testá-la antes com pessoas ligadas à indústria, jornalistas que cobriam a área", diz o engenheiro Helio Daldegan, coordenador do projeto de internet da Embratel à época.
Botelho era dono de um serviço de BBS (Bulletin Board System), espécie de pré-provedores de internet que permitiam mandar e-mails e participar de fóruns de discussão, mas só entre usuários de um mesmo país ou região.
Os serviços de e-mail oferecidos então até funcionavam internacionalmente, mas uma simples mensagem podia demorar horas para chegar ao destinatário.
"As mensagens eram recebidas e enviadas pelos BBS três vezes por dia, quando nos conectávamos à rede internacional; com o tempo, passamos a fazer isso uma vez por hora, diz Charles Miranda, que era sócio do BBS Hot-Line e também participou dos testes fechados da Embratel.
Com a chegada da internet, e-mails passaram a ser instantâneos e usuários brasileiros puderam acessar sites internacionais e serviços de chat, como o popular Mirc.
PRIMEIROS USUÁRIOS
Como seus donos ganharam acesso antecipado à rede mundial, os BBS acabaram se tornando os primeiros provedores de internet comercial do país, e seus clientes, os primeiros usuários. O BBS de Botelho, chamado Unikey, era um dos maiores do país, com cerca de 2.000 usuários.
Um de seus usuários era Rafael Cresci, 33, que na época tinha 13 anos.
A primeira vez que ele ouviu falar de internet foi durante uma conversa em um dos fóruns de que participava pelos BBS. Depois, ficou sabendo dos testes da Embratel e tentou participar, mas sua idade o impediu --era preciso ser maior de 18 anos, e seus pais não estavam dispostos a assinar um contrato para usar um serviço que mal sabiam o que era.
Teve então que esperar quase um ano, até que a internet comercial fosse aberta, para comprar um CD-ROM da Nutecnet, que lhe garantia 20 horas de acesso mensais por cerca de R$ 35 reais --sem contar, é claro, os gastos com a linha telefônica, que era usada para fazer a conexão com a internet.
"Aquele negócio de globalismo, de se sentir um cidadão do mundo e não só local, de se livrar de preconceitos locais e conhecer novas experiências e outras mentalidades, isso tudo realmente foi acontecendo com um empurrão da existência da rede na minha vida", diz Cresci.
No fim, a internet acabou virando profissão. Depois de entrar nas faculdades de engenharia e de relações internacionais e de desistir no meio dos cursos, Rafael fundou uma start-up de tecnologia, vendeu-a para um grupo americano e hoje trabalha como gerente de operações da empresa de computação em nuvem Enzu.
EMPURRÃO
Sua história não é incomum --vários dos primeiros usuários de internet acabaram trabalhando na área de tecnologia.
"A chegada da internet foi um marco muito importante porque ajudou a formar um público que chegou a vários cargos de liderança na indústria de TI [tecnologia de informação] no Brasil", diz Gustavo Fuchs, que começou a usar a internet com 15 anos e hoje trabalha como diretor da Microsoft em Dubai.
"Naquela época, eu era um adolescente apaixonado por computadores que estava em busca de informações, a internet foi um acelerador sem igual, o que me possibilitou concorrer em um mercado que era tradicionalmente focado em profissionais com muitos anos de experiência", conta Fuchs.
Um dia ligou um cliente que queria saber de qualquer jeito como ele ligava a máquina de fax dele à internet
Julio Botelho, dono de uma BBS

O homem que 'ligou' a internet

Executivo Dilio Penedo, que era presidente da Embratel, na época estatal, durante projeto-piloto da internet
RICARDO BUNDUKY
DE SÃO PAULO
Em fevereiro de 1995, o engenheiro Dilio Penedo assumia a presidência da Embratel, na época uma empresa estatal, durante a implantação de um projeto-piloto que conectaria os brasileiros à internet.
A inexistência de regulamentação e a ausência de outras prestadoras do serviço geraram contestação à iniciativa, que foi vista como uma tentativa de monopolizar a internet, justamente no momento em que se debatia a privatização das telefônicas. 
Em entrevista à Folha, 20 anos depois, Penedo, 72, afirma que essa contestação foi fruto de um "desconhecimento técnico". 
Ele admite que o monopólio do serviço era discutido nos bastidores da empresa, mas que, formalmente, a Embratel não reconhecia e nem reivindicava o privilégio. Penedo cita um estudo feito pelo departamento jurídico da empresa sobre o assunto, a pedido do então ministro das Comunicações, Sérgio Motta, e diz também que a Embratel nunca quis ser o maior provedor de internet do Brasil.
Folha - Como eram os embates políticos entre as correntes anti e pró-privatização do serviço de internet? 
Dilio Penedo - Eu tomei posse como presidente da Embratel em fevereiro de 1995. Nessa época ninguém falava de internet, era um assunto absolutamente desconhecido no Brasil. Era uma rede que operava nos Estados Unidos, havia sido financiada pelo governo norte-americano, uma espécie de defesa para salvar a inteligência na área de ciência e tecnologia. Como os computadores não se falavam, eles inventaram essa rede que permitia transferir memórias entre computadores, sobretudo nas universidades, mas também entre os computadores militares, de tal maneira que, se uma universidade, se um computador fosse sabotado, se houvesse alguma guerra, bombardeio, você teria toda essa inteligência salva em outro lugar. Hoje parece uma coisa muito simples, mas na época não era.
Alguns brasileiros que estudavam lá, fazendo pós-graduação, utilizavam essa rede e achavam o máximo. Essas pessoas vieram para o Brasil e foram para algumas universidades, no Rio, em São Paulo, e conseguiram estabelecer alguns links com interface na rede americana. A Embratel, que sempre foi uma empresa de alta tecnologia, era detentora das concessões de transmissão de dados, tanto no Brasil quanto na rede internacional. Então ela se interessou por essa questão da internet, que já era usada nos Estados Unidos comercialmente. A Embratel começou a fazer um projeto-piloto para interligar 20 mil computadores. E foi feito um projeto bem profissional, com treinamento de pessoal de atendimento. Não havia, evidentemente, regulação, concessão.
Algumas pessoas de dentro da Embratel achavam que o serviço de internet era de transmissão de dados, interpretaram dessa forma. Eram pessoas que defendiam que a Embratel deveria ter o monopólio da internet. Mas isso nunca foi uma posição oficial. Até porque era um projeto pioneiro, que a Embratel autorizou a realização com relativamente poucos recursos. Então começou a se discutir o quanto que iria cobrar.
E como essas universidades usavam a rede? Não era a Embratel que provia esse serviço?
Não era um serviço, isso é fundamental para entender o problema. O serviço que a Embratel prestava era alugar um canal. Alguém que tinha um computador, como a Universidade Federal do Rio de Janeiro ou a PUC-Rio, alugava um canal que saía da universidade e ia até um ponto de conexão com a rede americana. A Embratel dava a interconexão desse canal e caía fora. O serviço era o mesmo que a Embratel já prestava a empresas que quisessem usar a transmissão de dados. Você pegava um canal de dados daqui, ia até os Estados Unidos, e lá nos Estados Unidos pegava outro canal de dados. Fazia uma interconexão. E isso a Embratel fazia, essa coordenação. 
Com o aumento do interesse, a Embratel fez esse projeto. Havia empresas subsidiárias de companhias americanas ou europeias que já usavam a internet nos EUA ou na Europa. E um dos primeiros, porque tinha uma relação, vamos chamar de privilegiada, com o ministro Sérgio Motta, foi o Betinho [o sociólogo Herbert José de Sousa], que queria fazer uma BBS [Bulletin Board System, espécie de pré-provedores de internet que permitiam mandar e-mails e participar de fóruns de discussão]. E se falava muito um nome: "backbone". Seria a futura rede de transmissão de dados que daria suporte à internet. O Betinho manifestou interesse e já havia pessoas trabalhando com ele. Ele queria fazer uma internet comercial, cobrando. Aí estava dentro do escopo de concessões da Embratel: montar um "backbone" nacional. Podíamos eventualmente prestar o serviço também em concorrência com outros portais. E o que aconteceu? Dissemos "Bom, a gente pode montar um 'backbone' de internet, mas não podemos dar um desconto". Porque eles pleiteavam ter o mesmo desconto que as redes universitárias tinham para os circuitos de transmissão de dados. 
Fizemos uma rede pioneira, importamos um roteador dos EUA. Em agosto de 1995, colocamos esse roteador no ar, instalado em São Paulo, com dois circuitos para os Estados Unidos. A rede nacional, o "backbone" da Embratel, foi ligado com a Sprint, dos Estados Unidos, e começamos a oferecer acesso a essa rede. Como era um roteador para atender a vários portais, você diluiria o custo da transmissão de dados. E começamos a ampliar esses circuitos para fazer face, à medida que foram entrando novos usuários. 
Depois disso, começou outro problema. Quando esse negócio começou a entrar em operação, descobriu-se a internet. E a internet foi amor à primeira vista de todo mundo. A imprensa se interessou muito. Eu assisti a reuniões, entrevistas coletivas, e todas as perguntas eram sobre internet. Uma parte muito grande das perguntas contestava o monopólio da Embratel. Esta contestação foi fruto de um desconhecimento técnico do assunto, porque, embora houvesse pessoas na Embratel que acreditavam que ela deveria ter o monopólio da prestação do serviço, não havia nada escrito e jamais saiu da Embratel um documento reivindicando o monopólio ou pedindo a regularização. 
Inclusive, quando esse assunto se tornou uma pressão muito forte, não permitimos a entrada em operação da BBS Embratel. E o ministro Sérgio Motta era uma pessoa de personalidade muito forte. Ele entrou com uma determinação grande de privatizar o sistema Telebrás o mais rápido possível. Queria falar sobre privatização, fazer a inauguração de expansões. E a imprensa simplesmente não permitia, ninguém queria saber de central de telefônica nova, cabo novo, satélite novo. Só queria saber de internet.
De que forma a agenda das privatizações pesou para a proibição da Embratel de prestar o serviço? 
Proibição não houve. Diante da repercussão negativa que havia sobre esse assunto e da falta de regulamentado, preferimos ficar no nosso campo de atuação, que seria ter esse "backbone" e mantê-lo com esse roteador inicial, que era uma coisa ridiculamente pequena. Era realmente um teste operacional de serviço. Um dia, o ministro Sérgio Motta me pediu que estudasse o monopólio da Embratel na prestação do serviço de internet, porque ele entendia que isso não estava dentro das concessões da Embratel.
Ele queria se livrar desse problema porque precisava cuidar da privatização, precisava privatizar o sistema telefônico, uma coisa importantíssima do primeiro governo Fernando Henrique Cardoso. Ele fez quase um milagre. O sistema Telebrás foi privatizado em julho de 1998, praticamente em três anos e meio. Foi um prazo recorde na época. E ele achava que esse assunto de internet, como nos Estados Unidos, também era coisa da National Science, a agência de ciência dos Estados Unidos era quem administrava a internet. E ele queria transferir esse assunto para o Ministério de Ciência e Tecnologia.
A pedido do ministro Sérgio Motta, o departamento jurídico da Embratel fez um estudo sobre esse assunto. Eu participei desse estudo. Enviamos, dizendo que não reconhecíamos monopólio na prestação do serviço. Isso é importante, porque houve acusação de que Embratel queria ser monopolista. Isso é briga de bastidor. Do ponto de vista das relações institucionais, o único papel que saiu da Embratel sobre esse assunto dizia que a Embratel não se reconhecia concessionária monopolista do serviço de telecomunicações na internet. 
E nunca houve essa intenção [de ser monopolista]?
A intenção era nos bastidores, nos congressos. Mas, do ponto de vista formal, o único documento que saiu da Embratel sobre esse assunto foi o que mencionei. Houve um acordo entre o ministro Sérgio Motta e o ministro da Ciência e Tecnologia, que transferiu a prestação do serviço de internet para o Ministério de Ciência e Tecnologia. Eles criaram o Comitê Gestor de Internet, com representantes de várias entidades. Na época, a discussão é que era impossível você fazer uma rede de internet no Brasil sem a Embratel, porque só a Embratel tinha os meios de interconexão. O complicador todo no início foi esse, e a Embratel, evidentemente, não abriu mão dos preços. Isso só podia ser feito a nível de governo brasileiro, estabelecer tarifas especiais. Eu, presidente da Embratel, não tinha poder para dar desconto. A minha responsabilidade era cobrar o que o Ministério das Comunicações aprovava, para todos os tipos de serviço, Renpac, telefonia. Tinha desconto de noite, de madrugada, mas eu não podia dar um desconto para um "backbone" de internet. 
O projeto-piloto tinha uma expectativa de atender a milhares de pessoas em 1º de maio de 1995, mas apenas cerca de 250 foram conectadas. O que houve de errado?
Primeiro começou essa briga pela redução das tarifas. A outra discussão era conceitual: a Embratel tem ou não a concessão para prestar esse serviço de internet? Estava tudo montado, tinha pessoal treinado para atender o SAC da internet Embratel, uma tremenda de uma BBS. Nesse ponto, você ia cobrar pelo serviço, e, portanto, se ressarcir do custo dos canais internacionais. Mas não tinha tarifa aprovada. E havíamos calculado internamente um preço que seria cobrado. Mas preferimos tirar o pé do acelerador enquanto se discutia esse assunto formalmente.
No instante em que a administração da rede passou para o Ministério de Ciência e Tecnologia, o nosso ministro pôde tratar do assunto que interessava para ele, que era a privatização das telecomunicações. Isso talvez hoje seja difícil de entender, mas na época era um estresse. O ministro ia a um congresso de telecomunicações e ninguém falava de telecomunicações, só de internet. É uma explicação muito singela mas foi exatamente isso que aconteceu.
Qual era a ideia que vocês tinham sobre a internet na época?
O primeiro impacto realmente foi o e-mail. Ninguém sabia o que era, a massa da população. E quando se falou em e-mail eu fiquei muito interessado porque aumentava brutalmente o potencial de comunicação. Isso, para mim, foi um impacto quando explicaram como era -e essas explicações tinham que ser dadas porque isso virava recursos para investimento. Então fizemos muitos estudos sobre o assunto.
Mas 20 anos atrás estava começando a existir celular no Brasil. As redes de celular eram pequenas. Celular era caríssimo, era um tijolo. Carregar aquilo era desajeitado. Tudo o que aconteceu depois foi em cima de uma infraestrutura de eletrônica, de microeletrônica, de nanotecnologia, que permitiram o desenvolvimento de computadores de altíssima tecnologia.
Outro dia eu li que qualquer smartphone hoje em dia tem mais capacidade de processamento do que tinha a Apollo quando foi à Lua. O Brasil, em 1995, tinha um deficit de telefone fixo monstruoso. A privatização foi feita para acabar com isso. As empresas não conseguiam investir na velocidade que o mercado crescia. Na Embratel, a gente investia em torno de R$ 500 milhões, R$ 600 milhões por ano e não conseguíamos manter o crescimento dos sistemas das redes de dados e de telefonia. Pensa se alguém ia imaginar esse desenvolvimento tecnológico, acho que nem os livros de ficção científica conseguiam fazer essas previsões.


OS PIONEIROS

O Google brasileiro de 1995

BUSCA POR CATÁLOGO Gustavo Viberti, que criou o Cadê em 1995 e o vendeu em 2000
YURI GONZAGA
DE SÃO PAULO
Antes de o Google se expandir globalmente e atropelar todas as outras formas de consulta on-line, no final dos anos 90, a ferramenta de busca que imperava no Brasil era o Cadê, uma empresa que nasceu com pouca ambição e fruto do que se pode chamar de uma crise precoce de meia idade.
"O Cadê foi lançado como uma página pessoal", diz Gustavo Viberti, 49, que fundou o site com o colega Fabio de Oliveira. "Estava chegando aos 30 e buscava uma saída, um caminho solo."
O engenheiro, que hoje atua como consultor em projetos de tecnologia, trabalhava numa multinacional de informática e diz que sentiu o burburinho no empreendedorismo no setor, em especial nos EUA, e resolveu fazer um experimento. "Como era muito fácil testar, tirei um mês de férias e fiz a primeira versão do serviço."
Ele conta que a primeira versão do site, "muito simples", foi ao ar em outubro de 1995 com 300 páginas catalogadas "na unha". "Eram páginas de universidades, de estudantes. Surpreendentemente, a internet cresceu rápido. Muito mais rápido do que a gente imaginava."
Em um mês, esse número foi multiplicado por cinco. "Deu para ver que tinha alguma coisa aí, e ficou muito difícil, para mim, levar isso junto com o trabalho."
A partir daí, a brincadeira virou uma empresa, e o negócio deslanchou --não imune a problemas, contudo. Viberti diz que houve descrédito, a princípio. "Falar em iniciativas de internet no Brasil era algo muito difícil. Era difícil de acreditar que aconteceria [o sucesso]."
Além disso, existia a barreira do desconhecimento. "Era engraçado, porque chegávamos nas agências de publicidade e tínhamos de explicar, antes mesmo de tentar convencer as pessoas que era uma boa ideia anunciar com a gente, de que se tratava a internet."
Um episódio que ficou na memória do empresário foi quando recebeu um cheque assinado pessoalmente por Jeff Bezos, fundador da Amazon que anunciou no Cadê. "Discutimos se usávamos o dinheiro ou fazíamos uma moldura", lembra.
O pioneiro comemora a autonomia do empreendimento, e diz não se arrepender da venda. "Foi um longo caminho. A gente recebeu investimento no início e, depois, nunca mais. Vivemos de renda publicitária até o momento da venda."
"Por um lado, éramos otimistas, mas nunca imaginaríamos que cresceria tão rápido."
ALTERNATIVA AO GOOGLE
"Genial" foi a palavra que Viberti usou para descrever o Google quando teve contato pela primeira vez com o site, então em fase beta, em 1998. A diferente maneira de catalogar páginas --com varreduras automáticas em vez de humanas-- pareceu promissora, e se provaria tanto.
"Não tínhamos nem tempo de pensar nisso, tínhamos outra coisa para fazer. Mas o que o Google fez acabou com praticamente todo concorrente" --a exemplo de AltaVista e Lycos.
Fora isso, as propagandas exibidas conforme as buscas, que hoje em dia perseguem o internauta aonde quer que vá e são refinadas por informações pessoais, foram mais eficientes na internet.
"Não só fizeram um bom buscador, mas mudaram a forma de vender publicidade. A gente ia bater na porta das agências", diz.
Adquirido pela empresa americana Starmedia em 2000, o Cadê foi revendido pouco mais de um ano mais tarde por R$ 30 milhões ao Yahoo! --página para a qual o endereço cade.com.br é redirecionado hoje.
Mas a história poderia ter sido diferente, Viberti acredita. "Nós tínhamos um tamanho razoável e poderíamos ter conseguido [fazer frente ao Google]. Poderíamos ter aperfeiçoado a ferramenta com a ajuda de universidades. Mas seria muito complicado", admite.
A curadoria profissional das páginas da web, personalidade do Cadê, era preferida por alguns usuários à crueza do ainda pouco refinado algoritmo googleano, conta Viberti. Quando o site foi vendido, tinha 200 mil páginas que haviam sido inseridas e categorizadas manualmente.
"Sinceramente, acho que o fato de haver seres humanos revisando os sites ainda tem o seu valor. Não é a mesma coisa, não tem a mesma abrangência, mas é confiável e útil", afirma.
"Muitas vezes você está navegando por algo e gostaria de uma recomendação. Talvez um misto das duas coisas [varreduras robotizadas e supervisão de pessoas] fosse uma boa solução."
FUTURO
Depois da aventura com o Cadê, Viberti se dedicou à família e a projetos que não demandavam tanto tempo e esforço. "Só depois [da venda do site] consegui ser pai para o meu filho."
Sobre o cenário atual para as start-ups, ele ressalta o "dinamismo" do mercado e a existência de investidores dispostos a apostar grandes quantias nos jovens empresários.
"Hoje você pode juntar dois ou três amigos e apresentar a um fundo [de capital de risco] e aprender errando. Vejo como um ponto muito positivo. Tem muita gente imaginando e que pode fazer coisas imprevisíveis."
Nós tínhamos um tamanho razoável e poderíamos ter conseguido [fazer frente ao Google]. Poderíamos ter aperfeiçoado a ferramenta com a ajuda de universidades

A eterna busca por um negócio na internet

NEGÓCIOS EM SÉRIE - Aleksandar Mandic, que teve de servidor a coletor de wi-fi
DIEGO IWATA LIMA
DE SÃO PAULO
Há uns quatro anos, o país vive uma espécie de "febre das start-ups", com jovens aproveitando o maior volume de investimento de capital de risco no Brasil para tentar criar a partir do nada um caso de sucesso que se pareça com algo como o Google, o Facebook ou o Instagram.
Toda uma comunidade de empreendedores, como eles gostam de ser chamados, de investidores e de palestrantes se formou em torno do tema. De certa forma, Aleksandar Mandic, 60, foi o precursor de tudo isso, há 20 anos.
Primeiro a explorar comercialmente uma BBS --espécie de avó da internet-- por aqui, Mandic também desenvolveu um dos primeiros provedores comerciais de acesso à rede, que levava seu nome. Mais tarde, foi um dos fundadores do IG. Também já apostou em e-mail corporativo, em um rival do serviço de armazenagem Dropbox e em sistemas de armazenamento na nuvem.
Atualmente, ele, que não concluiu o ensino superior e não fala inglês (fala alemão, sérvio, croata e espanhol), está envolvido com o que considera mais quente no setor: os aplicativos para smartphones.
"Eu mantenho esse desktop aqui por força do hábito", disse à Folha, apontando para um Mac.
Filho de uma bielo-russa e de um sérvio, ele mora sozinho no bairro do Morumbi, em São Paulo, em um apartamento com poucas paredes, onde também fica seu atual escritório.
"O negócio hoje está aqui, ó", diz, enquanto segura o seu iPhone.
"Cada vez menos as pessoas vão usar computadores. Esse aqui é da minha namorada. Ela não vem aqui há dois dias", diz, apontando para um laptop.
Seu aplicativo Mandic Magic surgiu de uma demanda não sanada, segundo ele, por nenhum aplicativo disponível na Apple Store.
Trata-se de uma rede colaborativa, na qual as pessoas cadastram as senhas das redes wi-fi abertas dos ambientes que visitam.
"Imagine você na França, em um restaurante com wi-fi. A senha pode ser algo simples, como 'aeiou'. Mas o cara vai dizer em francês, e você pode não entender bem. Com o aplicativo, basta consultar o que o usuário anterior deixou registrado", diz.
Criado em 2013, o Magic conta com 10 milhões de usuários. A meta é chegar a 100 milhões.
BBS
Em 1990, o empresário iniciou a sua BBS (bulletin board system, na sigla em inglês). Apenas dois anos depois de comprar seu primeiro PC.
As BBS eram as irmãs limitadas da internet. Tratavam-se de pequenas redes particulares que interligavam computadores. Eram usadas por empresas para integrar funcionários e equipes de vendas, por exemplo.
Logo se tornaram também fonte de diversão, com jogos em rede e mecanismos primitivos que possibilitavam chat entre os usuários.
O empresário não teve a primeira BBS nacional. "Mas fui o primeiro a estruturar uma BBS como empresa", afirma.
Com aporte de um grupo de investimentos, o empresário transformou a Mandic BBS na Mandic Internet, um dos primeiros provedores de acesso à rede no país em 1995.
"Lembro-me do primeiro dia, aquele 28 de agosto de 1995. A gente tinha o acesso, mas não tinha o que acessar. Fomos para o site da Nasa", relembra-se.
Mandic tem seu quê de visionário, mas assume que também teve uma boa parcela de sorte.
Como no fim de 1999, por exemplo, quando decidiu vender sua empresa para o grupo argentino O Site, dois meses antes do estouro da bolha da internet, que levou muita gente à falência, devido à especulação desmedida no setor.
"Havia a impressão de que aquele crescimento todo não se sustentaria, mas não foi por isso que vendi a companhia", admite.
Mandic já era o vice-presidente do iG, presidido pelo publicitário Nizan Guanaes, quando a bolha estourou, em março de 2000. Mas, como executivo remunerado, ele sofreu menos do que sofreria como empresário.
Em 2002, reabriu uma empresa com seu nome, focada em e-mail corporativo sem limite para as caixas postais. Dez anos depois, vendeu a Mandic Mail para um fundo de investimentos.
"Se tem algo em que falhei foi em conseguir me aposentar", brinca.
Essa não foi a sua única falha. Em 2010, também não se elegeu deputado estadual pelo DEM, em São Paulo. Sua principal proposta era oferecer wi-fi em áreas públicas e menos privilegiadas.
INTERFACE
Dono de um avião Cessna modelo Citation Mustang, avaliado em cerca de US$ 3 milhões (R$ 9 milhões), Mandic graduou-se comandante de avião há pouco tempo.
O Mustang é a quarta aeronave do empresário, e esse hobby inclui algo mais prosaico: um Fusca modelo 1972.
No apartamento em que mora, mantém uma adega climatizada com diversos rótulos de vinho, várias garrafas de outros tipos de bebida, uma churrasqueira e a pequena Fox Paulistinha Domus.
Mandic, que já é avô, foi casado três vezes. Tem um filho de cada casamento.
"A Mariana [Agneli] vem aqui nos finais de semana, mas tem a casa dela", conta, sobre a namorada, 20 anos mais jovem, que conheceu via Facebook.
Para ele, a próxima grande revolução da internet se dará na interface com as máquinas. Ou seja, na maneira como os usuários interagem com seus aparelhos.
"Hoje, mesmo algumas tentativas de interação um pouco mais inteligentes, não funcionam muito bem", diz.
"Eu já desabilitei a Siri, por exemplo", disse sobre o software da Apple que emula inteligência artificial, fala e tenta entender o usuário.
Mandic não conhecia o filme "Her", de Spike Jonze, que trata justamente das relações entre usuários e um sistema operacional de inteligência artificial, em um futuro próximo.
Durante a entrevista, ao ficar saber do roteiro do filme, mostrou interesse pela obra e anotou seu nome em um bloquinho, apesar de ter à mão um computador desktop, um laptop, um iPad e um iPhone.
"Aprender um hábito novo é muito mais fácil do que abandonar um antigo", concluiu o empresário, com a caneta na mão.
Lembro do primeiro dia, aquele 28 de agosto de 1995. A gente tinha o acesso, mas não tinha o que acessar. Fomos para o site da Nasa

Conheça o primeiro blogueiro brasileiro

MEU DIÁRIO Nemo Nox, criador do Diário da Megalópole, em 1998
ANDRÉ ZARA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
No princípio da internet havia o texto. Mesmo antes do surgimento das plataformas específicas de blogs, usuários já usavam a rede mundial para, como define o dicionário "Cambridge", criar um registro regular de atividades ou opiniões que se coloca on-line para outras pessoas lerem.
No Brasil, muitos reconhecem que o paulista Nemo Nox, que não revela a idade nem seu nome de registro, foi o primeiro a criar um blog em português, em 1998.
O Diário da Megalópole é um marco e começou após ele se mudar para São Paulo. No site, Nemo registrava ideias, experiências e também o utilizava para iniciar conversas on-line.
"Eu não blogava sobre a minha vida privada. Meu assunto era principalmente atividades culturais: livros, filmes, música, etc. Escrevia para compartilhar, o que sempre pareceu uma coisa natural", afirma.
Mas as coisas não eram tão simples, tecnologicamente falando. "O blog ainda não existia como ferramenta, foi só um formato de publicação que me pareceu adequado para o conteúdo que eu queria produzir. Na época eu nem sabia que aquilo se chamava blog. Ferramentas como o LiveJournal e o Blogger só foram aparecer mais de um ano depois."
Como não havia ferramenta própria, ele precisa criar cada página em HTML em um editor de texto e publicar por FTP. Apesar de o blog ter durado apenas alguns meses, o contato com o público foi positivo.
"Frequentemente aparecia alguém concordando ou discordando veementemente de alguma coisa que eu tinha publicado. Vez por outra isso gerava boas conversas. Tenho amizade com algumas dessas pessoas até hoje", conta.
Após a experiência, Nemo investiu no blog Por um Punhado de Pixels, em 2001, buscando um formato mais ágil, tanto em termos de publicação (primeiro via Blogger, depois via Movable Type) como de conteúdo (posts mais curtos e coloquiais).
"A experiência foi excelente: aprendi muito, conheci gente e até ganhei uns prêmios."
O BLOG COMO NEGÓCIO
Apesar do sucesso, Nemo afirma que nunca tentou ganhar dinheiro com o blog. Diferente foi o caso de Edney Souza, 39 anos, conhecido como InterNey, um dos primeiros brasileiros a ganhar a vida como blogueiro.
Em 1997, então trabalhando com desenvolvimento de softwares, ele começou a experimentar criando sites. "Eu sempre fui o amigo nerd que ajudava a solucionar dúvidas de tecnologia. Por isso, pensei em dividir meus conhecimentos na internet", conta.
Em 2000, Souza migrou para uma ferramenta de blog na qual começou a falar de tecnologia e a responder perguntas de internautas, que muitas vezes tinham que recorrer a fóruns para resolver seus problemas.
Com o boca a boca e a ajuda do Google (onde as pessoas começaram a fazer perguntas e a achar o blog como referência), ele chegou ao ano de 2002 com 1 milhão de acessos. Mas o sucesso trouxe um preço: pelo grande volume, o servidor começou a cobrar.
Mesmo trocando por um estrangeiro, as contas continuavam aparecendo cada vez mais altas. "Para pagar resolvi procurar alternativas e descobri os banners e que o MercadoLivre remunerava se direcionasse os acessos para o site deles", afirma.
Com isso, as contas foram equilibradas. Mesmo com a bolha da internet, que explodiu no começo da década de 2000, o que fez muita gente desconfiar da lucratividade dos sites, o seu blog continuou sólido e, em 2004, já conseguia lucrar.
"Na época, eu fui promovido a gerente de desenvolvimento de softwares na empresa em que trabalhava. Mesmo com medo de perder a segurança financeira, achei que tinha mais talento para o marketing digital."
No ano seguinte ele se demitiu e partiu para empreender no mercado digital. Em 2006 criou um portal de blogs, que chegou a ter 40 blogs e 20 milhões de acessos, e em 2008 fundou uma agência digital. No entanto, em 2011, o projeto da plataforma se encerrou.
"As mudanças na internet são muito rápidas. Os blogs tinham acessos e eram populares, mas muitos eram muito focados em temas que não atraiam as marcas para anunciar. O modelo de negócios deixou de fazer sentido", reflete.
A ERA DO VÍDEO
Outro impacto grande para os blogs foi o barateamento da banda larga e a facilidade de se produzir vídeos. "As pessoas sempre quiseram ver vídeos, como mostra a televisão. Mas não era barato de se fazer e a internet devagar.
O texto é barato e ocupa pouco espaço", afirma. Com as facilidades, surgiu espaço para uma nova era de pessoas, que faziam as mesmas coisas dos blogueiros, mas agora em vídeo, que ficaram conhecidos com vloggers ou youtubers.
Eduardo Faria, o Venom Extreme, 33 anos, é um exemplo. Nunca teve blog ou seguiu um, mas adorava o vídeo de pessoas jogando videogame.
Como jogava Minecraft decidiu criar seu próprio canal no YouTube para mostrar suas habilidades. Morando em Portugal na época, e trabalhando como programador de CNC, não tinha nenhum conhecimento de como fazer vídeos ou editar.
Mas começou a ver tutoriais on-line e aprendeu. Seu primeiro vídeo, publicado em maio de 2011, teve 100 acessos e alguns comentários. Ele se empolgou e no período de oito meses fez mais cem vídeos, conseguindo 15 mil inscritos. Decidiu então que era hora de monetizar.
"Em pouco tempo, já ganhava quatro vezes mais que no trabalho e pedi demissão para me dedicar totalmente. Como Portugal estava em crise, meu chefe achou que era louco de largar o emprego para jogar videogame", conta.
Em 2012 já tinha 300 mil inscritos no seu canal, mas a consciência do sucesso foi quando veio ao país para a feira Brasil Game Show (BGS). Junto com Bruno Aiub e Leon Martins, outras estrelas do YouTube, eles causaram um furor entre os participantes do evento e tiveram que ser resgatados por seguranças de um mar de fãs.
"Foi quando caiu a ficha do tamanho da minha popularidade", revela. Hoje, ele tem 4 milhões de inscritos no seu canal e até 17 milhões de visualizações por mês, sendo o sexto canal mais visto no Brasil. Com o sucesso, além das receitas do YouTube, diversas marcas começaram a fazer propostas para vídeos patrocinados --o que já fez para EA Sports, Call of Duty e Live TIM.
Mesmo com a vitória dos vídeos, ainda tem gente que lembra com saudades os tempos áureos do blog.
"Para mim a grande fase foi entre 2000 e 2005, quando os blogs mais ativos e mais visitados eram genuinamente de expressão individual, antes de anseios de monetização e antes de todas as revistas e jornais terem também seus blogs. Mas talvez eu tenha uma visão romântica disso tudo por ter estado envolvido com o movimento naquela época", relembra Nemo Nox.


ERA SOCIAL

Até hoje sou abraçada na rua, diz nutricionista do 'sanduíche-iche'

MINHA VOZ... Ruth Lemos em sua inesquecível entrevista ao vivo à Globo
DIEGO IWATA LIMA
DE SÃO PAULO
A internet tem incontáveis utilidades, digamos, sérias. Mas também mudou muito a maneira como a humanidade passou a rir. Não por acaso, muitos comediantes que surgiram nas duas últimas décadas começaram a fazer sucesso na rede antes de migrarem para outras mídias.
Os memes surgiram praticamente ao mesmo tempo que a internet no Brasil. Não eram chamados por este nome, inicialmente. Mas, desde as primeiras trocas de e-mail, piadas, imagens e até mesmo alguns vídeos já eram enviados entre os usuários, a despeito da precariedade das conexões discadas daqueles primeiros anos.
O impulso final para a propagação dos memes, no entanto, veio mesmo em 2005, quando o YouTube começou a operar e as redes sociais, em especial o Orkut, se popularizaram por aqui.
A possibilidade de se hospedar vídeos em uma plataforma amigável foi o impulso que faltava para que alguns memes viralizassem irreversivelmente e ficassem conhecidos em âmbito nacional.
Caso por exemplo do vídeo com uma dublagem tosca de um episódio da série de TV "Batman", dos anos 1960, que ficou conhecido como o "Batman da Feira da Fruta", devido à trilha sonora usada para musicá-lo. Originalmente, o vídeo, produzido por dois estudantes paulistanos nos anos 1980, estava em uma fita VHS, que passava de mão em mão e havia saído do controle dos seus autores em 1985.
Também foi o YouTube que transformou em personagem conhecido um transeunte que se apresentou como "Mario Darius", no início dos anos 1990, no centro do Rio de Janeiro. Abordado por uma equipe do programa "Documento Especial", da extinta Rede Manchete, o homem que dizia ser advogado ("adEvogado", na verdade) e parecia estar embriagado, discorreu sobre a política nacional, relações internacionais, hábitos do então primeiro casal nacional Fernando Collor e Rosane Malta, além das preferências sexuais e da índole do brasileiro.
Outros memes nasceram como fitas cassetes, que eram vendidas nas ruas por camelôs, bem antes de os computadores pessoais se tornarem populares.
Foi assim que o advogado fluminense "Luiz Pareto", morto em 2006, aos 91 anos, começou a tornar-se celebridade, ao ser vítima de um trote quando achou ter ligado para a extinta Telerj, nos anos 1980, para solicitar um reparo.
SANDUÍCHE-ICHE
Talvez ninguém tenha se tornado celebridade tão rápida e amplamente no Brasil, graças a um meme, quanto a nutricionista Ruth Lemos, protagonista do vídeo do
"Sanduíche-iche", de 2005.
Em entrevista a uma afiliada pernambucana da rede Globo, Ruth, 60, foi vítima do delay no ponto eletrônico que usava para ouvir as perguntas dos jornalistas que estavam no estúdio e passou a gaguejar nas respostas. Mesmo assim, e rindo da própria situação, Ruth foi até o fim da entrevista, transformando-se em um involuntário personagem cômico.
"Eu só assisti ao vídeo anos depois, em entrevista ao Jô Soares", contou à Folha, Ruth. "Não é nem que eu tinha vergonha, mas eu achava que aquilo não havia sido bom para mim. Então, por que assistir?", diz.
Ruth, membro do Conselho Federal de Nutrição, até tentou aproveitar a repentina fama para se lançar candidata a deputada estadual em 2006 em Pernambuco. Não se elegeu.
"Eu não sei se o vídeo me atrapalhou ou me ajudou na campanha. Porque, ao mesmo tempo em que me tornou conhecida, me ridicularizava um pouco", diz. "Mas é engraçado como aquilo ficou marcado para as pessoas. Até hoje há crianças que me reconhecem e me abraçam nas ruas", conta a nutricionista.
TAPA NA PANTERA
"No começo, a Maria Alice [Vergueiro] ficou chateada. Ela dizia: 'Tenho 50 anos de teatro, e agora sou conhecida como a avó maconheira da internet' ", conta, entre risos, o cineasta Esmir Filho, um dos diretores do famoso "Tapa na Pantera".
"Eu tenho muito orgulho de ter esta obra na minha filmografia", ressalta o diretor.
"A gente já conhecia a Maria Alice de um curta-metragem que havíamos feito. Algo bem legal do 'Tapa na Pantera' é que a gente chegou na casa dela e já encontramos no personagem", relembra-se Esmir, cuja ideia inicial era gravar uma peça para o Festival do Minuto.
Na edição, a meia-hora de conversa com a atriz se tornou um vídeo de pouco mais de três minutos, colocado na internet à revelia dos seus autores e da protagonista.
"Foi por meio da divulgação do nosso trabalho sem autorização na internet que eu fiquei conhecendo o YouTube", revela Esmir.
Ao mesmo tempo em que me tornou conhecida, me ridicularizava um pouco
Ruth Lemos, nutricionista que virou celebridade

Os casais que só existem por causa da rede

MARCA Casal que se conheceu no Tinder tatuou logotipo do app no pulso
BRUNO ROMANI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Em 20 anos na internet, o brasileiro redescobriu o amor. As redes sociais e serviços de bate-papo se tornaram ambientes naturais para encontrar a alma gêmea, e histórias de casais formados na rede se tornaram comuns.
Aconteceu com "Eros SP" e "Loira SP". Ou melhor, com Eros Gori Netti e Paloma de Moura Gori, ambos de 32 anos. Em 2009, eles se conheceram em um dos primeiros ambientes virtuais onde o brasileiro começou a flertar, as salas do Bate-Papo UOL.
A conversa que começou na sala "de 20 a 30 anos" numa terça de Carnaval acabou em troca de alianças em setembro de 2012. "Não dominava muito bem essas tecnologias de salas de bate-papo, mas achei que era divertida a ideia de conhecer novas pessoas", conta Gori. Antes de eles se conhecerem, porém, o brasileiro já havia experimentado várias plataformas sociais: mIRC, Par Perfeito, Fotolog, Myspace e, claro, Orkut. Isso sem contar os mensageiros instantâneos, como o ICQ e o MSN.
Cada um desses serviços teve um certo apelo. Alguns focaram em imagem. Em outros, a pessoa tinha que ser boa de conversa. O importante é que a rede se tornou uma espécie de filtro para encontrar a pessoa ideal. "No Par Perfeito, eu fiz um cadastro que me permitia encontrar e ser encontrado por pessoas com as características que desejava", conta Márcio dos Santos, 31.
O paulista de Araçatuba encontrou no serviço digital a sua mulher, a goiana Cíntia Vaz, em 2004. Os dois estavam na semana de gratuidade do site. E dizem que não iriam pagar para continuar. Foi suficiente para se conhecerem e desenrolarem a relação no MSN.
VÍCIO
Com tanto amor para dar, não podia dar outra: o Brasil é viciado em redes sociais. Em setembro do ano passado, era o segundo país a passar mais tempo nesse tipo de serviço, segundo a consultoria comScore. Na lista de 60 países monitorados, aparecia atrás apenas dos Estados Unidos.
A média brasileira de tempo por visita em redes sociais, de 18,5 minutos, é superior à mundial, de 12,5 minutos. Com cada vez mais gente usando e se encontrando, ser um casal de internet também vai deixando de ser "papo de nerd". Eles enxergam suas relações como qualquer outra que começou, por exemplo, no bar ou no trabalho.
"Nosso relacionamento apenas começou pela internet. Ele não se manteve por ela. Com oito dias de conversa já nos conhecemos pessoalmente. De lá para cá, estamos praticamente juntos todos os dias", afirma gaúcha Luana Jahnke. Ela e o namorado são da fornada mais recente de pombinhos da rede. Ele se conheceram há um ano no Tinder, e tatuaram no pulso o logo do app como forma de marcar o ponto de partida da relação.
Mas nem sempre foi assim, principalmente para as famílias e amigos de quem encontra a tampa da panela em apps e redes sociais."A reação dos meus pais foi horrível", afirma Carolina Carneiro, 27. A mineira de Muriaé conheceu o namorado há dez anos no Fotolog. "Para o primeiro encontro rolar, tive que mentir e falar que ele era primo de um amigo meu. Meus pais são mais velhos e não entendiam bem a tecnologia. Eles tinham receio e não acreditavam muito no futuro desse relacionamento", diz.
SEM MEDO
Depois de duas décadas de romances, até quem se arrumou na internet passa a reprisar alguns desses medos. "Se fosse hoje em dia, com o aumento do acesso à rede no país, acho que não teria me envolvido pela internet", afirma Cíntia. "As dificuldades de acesso de certa forma peneiravam os malucos". Ainda assim, os casais da internet recomendam a rede para quem procura alguém. "Recomendo salas de bate-papo para os encalhados de plantão."
Se não achar ninguém, pelo menos se divertirá muito!", diz a "Loira SP".
As dificuldades de acesso de certa forma peneiravam os malucos


GRANDES QUESTÕES

Assédio viral: o que liga a festa da FGV a Barbra Streisand

VIRAL Procura pelas fotos da casa de Barbra Streisand só cresceu depois que ela entrou na Justiça
BRUNO BENEVIDES
DE SÃO PAULO
Calouros vão comemorar a entrada na vida universitária em uma festa e, no dia seguinte, encontram as fotos da celebração --que incluem cenas de masturbação e menores seminus- na internet.
A história aconteceu em setembro de 2002 após um evento promovido pelo diretório acadêmico da FGV de São Paulo em uma casa noturna e foi o primeiro vazamento de imagens íntimas na internet brasileira.
Passados 13 anos, advogados ouvidos pela Folha disseram que esse tipo de crime hoje é mais comum, uma consequência natural da evolução da rede.
"A web mudou muito. Antes ela era um repositório de textos e vídeos, hoje ela é um espaço de socialização", afirma Thiago Tavares, presidente da SaferNet Brasil (ONG de defesa do direitos humanos na internet).
Segundo ele, o internauta brasileiro é muito intenso, entra de cabeça em qualquer discussão, seja política, sexual ou ideológica, o que facilita a disseminação das imagens. Casais gravando o próprio sexo, continua Tavares, sempre aconteceu. Para ele a diferença é que agora a tecnologia permite a disseminação das imagens com muito mais rapidez.
O advogado Cláudio Mattos, especialista em propriedade intelectual, considera que ocorreram mudanças tanto no campo legal quanto no cultural. "Não foi só a Justiça que mudou, foi a própria população que passou a entender melhor a internet", disse.
ESQUECIMENTO
Já Frederico Ceroy, presidente do IBDDIG (Instituto Brasileiro de Direito Digital), alerta que às vezes é melhor não entrar na Justiça, pois isso pode chamar ainda mais atenção para as imagens --o chamado "efeito Streisand".
Em 2003, um fotógrafo tirou uma foto da mansão da cantora americana Barbra Streisand. Inicialmente, a imagem passou despercebida, mas a procura explodiu depois que a artista entrou com um processo contra o autor.
"Se há um processo, todo mundo descobre como acessar. Você até consegue tirar o original, mas ele já está viralizado", afirma Ceroy. "Dependendo do tipo de conteúdo, é melhor não mexer, porque vai gerar um dano", completa.
Segundo Renato Opice Blum, advogado especializado em direito digital, uma das dificuldades nesses casos é conseguir enquadrar o ato em algum crime. "Você pode colocar como difamação, mas nem todo o juiz aceita e a pena é baixa, ninguém vai preso por isso", afirma. O mais comum, explica, é o processo por danos morais, buscando uma compensação financeira.
Os processos envolvendo a festa da FGV ainda estão correndo na Justiça. Um dos alunos envolvidos na divulgação das imagens foi expulso da faculdade na época. Como os processos estão em segredo, os nomes dos responsáveis não foram divulgados e os advogados não quiseram comentar o assunto.
Para Blum, essa demora na resolução do caso ocorre em parte porque não há uma lei específica contra esse tipo de crime, apesar de uma série de mudanças recentes na legislação sobre o assunto.
Entre elas está a Lei Carolina Dieckmann, de 2012, feita depois que um hacker invadiu o computador da atriz e divulgou fotos em que ela aparecia nua.
A lei trata apenas do roubo de dados e não da divulgação destes. Assim, só pode ser aplicada se alguém viola a segurança para invadir um equipamento e acessar informações. "Se o seu celular não tiver uma senha ou se você deixar o seu computador aberto e alguém pegar as imagens, não vai contra a lei, não tem crime", exemplifica Ceroy, do IBDDIG.
A legislação também não pode ser acionada quando o próprio autor das imagens é o responsável pela divulgação, como no caso da "revenge porn" ("revanche pornô", no qual alguém vaza fotos íntimas do parceiro ou parceira).
A falta de aplicação do Marco Civil da Internet --outra mudança legal recente-- é criticada por Blum. O código previa aulas de educação digital nas escolas como uma das formas de evitar os casos de vazamento de imagens. "Isso nunca foi cumprido, não conheço nenhum lugar que tenha dado as aulas", disse.
Ceroy concorda que a educação é o melhor modo de evitar esse tipo de violação da privacidade no futuro. "Conscientizar é o caminho, a lei não vai conseguir resolver", afirma. "A tecnologia não vai nos salvar."
Dependendo do tipo de conteúdo, é melhor não mexer, porque vai gerar um dano
Frederico Ceroy, presidente do Instituto Brasileiro de Direito Digital


Como o 'jeitinho' brasileiro entrou na web

BRUNO ROMANI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
A capacidade de dar um "jeitinho" para tudo encontrou terreno fértil na internet. Essa e outras características dos brasileiros foram amplificadas e alimentadas pela chegada da rede ao país, avaliam psicólogos e sociólogos ouvidos pela reportagem.
O ambiente fértil para poder falar e mostrar os valores e a cultura atingiu em cheio o "complexo de vira-lata", expressão criada pelo escritor Nelson Rodrigues para descrever o complexo de inferioridade nacional em relação a outros países.
"Com a internet, o brasileiro começa a olhar mais para si mesmo. Isso é positivo? Não sei. Se você se olhar muito no espelho, você vira um narcisista. É difícil estabelecer o limite entre a forma adequada e a forma patológica de usar", afirma Cristiano Nabuco, coordenador do grupo de dependência tecnológica do Hospital de Clínicas de São Paulo.
"É comum ao brasileiro a capacidade de dar um jeito nas coisas com recursos precários, o que muitos chamam de gambiarra. É interessante notar que esses traços culturais do Brasil são muito afeitos às principais características da cibercultura que são: a remixagem ou práticas recombinantes e a reconfiguração constante dos objetos virtuais", explica Sergio Amadeu, sociólogo da Universidade Federal do ABC e pesquisador de cibercultura.
Duas décadas de internet, porém, ainda é pouco tempo para maturidade. "Ainda estamos apenas aprendendo a manejar essa ferramenta", diz Nabuco.
LUGAR AO SOL
"No Brasil, temos uma desigualdade social e cultural muito grande. Mas todos são iguais perante a web", afirma Cristiano Nabuco, coordenador do grupo de dependência tecnológica do Hospital de Clínicas de São Paulo.
"Na internet, existe uma homogenização e uma padronização de valores e todo mundo encontra um lugar ao Sol. Talvez, ela tenha dado ao brasileiro uma chance de ter uma voz no mundo. Não só no mundo global, mas no mundo local", diz.
Ganhar a própria voz implica em liberdade de expressão --tanto para falar como para bloquear aquilo que não se quer escutar.
"Nas interações face a face, a reação da outra pessoa diante do seu comentário pode inibir ou mediar o conteúdo e o modo como você se expressa. Hoje, você tem a disponibilidade de pensar, editar, reformular algo antes de ser enviado aos destinatários. E, também, você pode romper barreiras hierárquicas de comunicação que eram uma realidade até pouco tempo atrás.", afirma Guilherme Wendt, psicólogo e pesquisador da Universidade de Londres.
"Existe um recurso que anteriormente não era possível. Você tem a oportunidade de selecionar quem poderá ver o conteúdo que você publica. Imagine se, há 20 anos, teríamos como "bloquear" um vizinho, um amigo etc", diz.
Com a internet, o brasileiro começa a olhar mais para si mesmo. Isso é positivo? Não sei
Cristiano Nabuco, coordenador do grupo de dependência tecnológica do Hospital de Clínicas de São Paulo 
Cíntia Vaz, que conheceu marido em site de namoro 
Aleksandar Mandic, empresário de internet 
Gustavo Viberti, criador do Cadê 
José Calazans, analista de mercado do Nielsen Ibope 


Ta ficando velho... Hein!!!

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